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Instituto Gris aposta nas mulheres 40+

25 de maio de 2023

Mais de 54 milhões de brasileiros já passaram dos 50 anos, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Se considerarmos apenas as mulheres, o número representa 13,7%, ou mais de 29 milhões de pessoas. O mercado está atento ao potencial de consumo desse grupo e suas demandas específicas.

Isso porque, nos últimos anos, a pandemia acelerou um processo que vinha acontecendo de forma lenta e escancarou algo óbvio: estas mulheres não pretendem ficar sentadas na varanda. “Elas querem se manter na ativa, profissional, social e sexualmente, então precisam de produtos e soluções que as auxiliem nessa jornada, olhando e compreendendo as mudanças que chegam com o avanço da idade”, explica o empresário Bruno Guimarães, idealizador do Instituto Gris.

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Ao lado da amiga e sócia Alexandra Ongaratto, médica ginecologista e diretora técnica do Gris, e um grupo de médicos e investidores, Bruno fundou o Instituto, com o objetivo de oferecer serviços de saúde e bem estar ao público feminino 40+.

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Com a chancela profissional de Alexandra, que é especializada em Ginecologia Endócrina e Climatério, e em Geriatria e Gerontologia, ainda é membro da Sociedade Brasileira de Climatério, da International Menopause Society e da International Society of Gynecological Endocrinology, o Instituto Gris tem uma imensa estrutura de atendimento médico, equipamentos de primeira linha como lasers e aparelhos de radiofrequência e um grupo multidisciplinar composto por médicas, enfermeiras, terapeutas, fisioterapeutas e outros profissionais.

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Um braço da instituição atua na formação profissional de médicos e no intercâmbio de experiências. Além disso, no ano passado foi lançada a linha Gris Intimates, cosmecêuticos desenvolvidos pela própria Alexandra em parceria com uma indústria farmacêutica, voltada à saúde íntima da mulher. O projeto do grupo é, a partir de 2024, inaugurar franquias do Instituto em outras capitais brasileiras.

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“Enquanto nos Estados Unidos e na Europa os negócios voltados à saúde e bem-estar deste público já proliferam, a oferta ainda é tímida no Brasil”, comenta Alexandra. Segundo ela, a sexualidade e da mulher madura é tema que merece mais debate. A médica afirma que o problema está diretamente relacionado à invisibilidade dessa mulher na sociedade.

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Ela arrisca dizer que a ciência e indústria investem tempo e dinheiro para encontrar maneiras de reverter o envelhecimento. “O que precisamos entender é que é possível envelhecer bem e com saúde”, explica. Ela reforça esta tese lembrando a necessidade que muitas mulheres sentem de esconder a própria idade, como se tivessem controle sobre o fluxo do tempo. “Temos de acabar com a justificativa que ouvimos de estar bem para a sua idade”, cutuca.

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Nadando contra a corrente, a mulher 40+ de hoje está mais confiante em ser ela mesma, assumindo os cabelos brancos, as mudanças no corpo, as rugas, a chegada da menopausa – e sem muita paciência para estagnação, diz.

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O Instituto Gris é um excelente exemplo do surgimento da chamada economia prateada, que começou modesta há cerca de uma década e agora começa a ganhar mais pujança. O marketing já entendeu a importância da consumidora 50+ para os negócios, isso porque costuma trabalhar alinhado às artes e à literatura, onde este movimento já mostrou as caras há mais tempo.

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“Precisa aprofundar o diálogo para conhecer, porque a gente parte do princípio de que é um grupo homogêneo, quando na verdade é diverso. Tem de entender quais são os percentuais e perfis dentro da diversidade dessa consumidora”, defende.

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“Está caindo a ficha para as empresas ligadas à saúde e ao bem-estar que seus clientes envelheceram, mas continuam tendo demandas. As que querem manter o próprio consumidor, em vez de mirar em pessoas mais jovens, precisam entender estas demandas. A maturidade tem uma nova cara e tem novos públicos chegando a essa fase da vida”, completa.

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Alexandra, que ainda comanda um podcast sobre climatério e menopausa, acredita que é fundamental se relacionar com mulheres desta faixa etária para colher insights. No recorte das mulheres, por exemplo, há uma experiência de vida diferente das gerações anteriores.

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Enquanto as mães das novas 50+ tinham dificuldade de discutir temas como menopausa e sexualidade, vistos como tabus, as filhas tomaram pílula anticoncepcional e começaram a falar mais abertamente sobre prazer sexual.

Para o empresário Bruno Guimarães, focar nesses aspectos pode gerar grandes sacadas para marcas e negócios. “As mulheres são as grandes decisoras de compras, principalmente na maturidade”, aponta, vislumbrando um leque enorme de oportunidades.

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“Com o Gris aprendi que o corpo sofre transformações com a menopausa. Isso gera oportunidades não apenas para o setor de saúde, mas para a indústria da moda, e dos cosméticos, por exemplo. Todas querem acompanhar tendências, mas em vez de se adaptar às consumidoras, o mercado fica impondo o padrão estético dos 20 anos. Quando a indústria entender este gap, vai bombar”, alerta.

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Ele lembra ainda que não só os produtos devem ser inclusivos, mas também o marketing e a publicidade, que precisam trabalhar a representatividade. “Não dá para querer vender cosmético para as 60+ e colocar uma mulher de 40 anos na campanha”, finaliza.

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